quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Agora é gilsonaguiar.com.br

Estamos abraçando um novo desafio, agora estou com um site. Espero que vocês gostem e acessem com a mesma freqüência que o blog. A quantidade de matérias colocadas no site são maiores, assim como a variedade de temas e relatos. Estarão presentes análises das entrevistas feitas nos programas "Pontos de Vista" (Rádio Universitária) e "Opinião" (Multi TV Cidades). Estarão replicas dos comentários da cbn, assim como acesso aos áudios. Meu site é gilsonaguiar.com.br. Acesse e confira.
Obrigado pelo espaço e até lá!


quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Vítima de si mesmo

O estrelato é a busca e ao mesmo tempo a condenação. O desejo de conquistar um espaço ao sol para grande parte dos brasileiros é uma luta diária, construção constante de possibilidades que inúmeras vezes não chega. Para o jogador de volei Ricardinho seu lugar ao sol se confunde com a própria atividade do astro rei, o homem de luz própria. Ao lançar o seu livro "Levantando a Vida" atraiu seus fãs para conhecerem sua história e, principalmente, trajetória no esporte que o cansagrou com o melhor levantador de volei do mundo. Mas, o que fez do lançamento de seu livro um espetáculo foi o corte de Ricardinho da equipe brasileira de volei que disputou o Panamericano do Rio de Janeiro. Na entrevista coletiva da obra que tem ele próprio como tema, o jogador deu entrevista sobre os motivos que o levaram a ser cortado da equipe brasileira. Alguns manhas e artimanhas ficaram claras. Na entrevista não ficou claro sobre corte da seleção, o jogador transferiu para o técnico Bernardinho a responsabilidade de esclarecer. O lançamento do livro ficou em segundo plano, talvez nem fizesse sucesso se não fosse o corte. Resta saber se Bernardinho terá participação na comercialização da obra, afinal o corte do jogador foi o elemento que deu destaque ao lançamento do livro.
Em meio a entrevista Bernardinho argumenta que a medalha de ouro do Pan foi arrancada de seu peito. Que tiraram a coroação de sua carreira brilhante, faltando apenas a medalha do Panamericano. O que me pergunto é se o campeonato viria com a presença de Ricardinho no time, se o relacionamento com a comissão técnica não afetaria o desempenho da equipe.
Calculo que Bernardinho agiu de forma correta, pensar na medalha do país é mais saudável que os delírios do rei sol.
Ricardinho considerava-se um líder da equipe e representou, segundo ele, a vontade da equipe de não dividir o prêmio da conquista no Pan com a comissão técnica. Antes de jogar já estava se dividindo o prêmio da vitória, que autoconfiança, que soberba magnífica, que determinismo despótico. Algo tipicamente brasileiro, é importante pensar no valor do esporte e do ídolo, ele sempre será medido pela moeda, mais do que o caráter. Mais que o corte de um jogador é o afastamento de um sócio.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Famílias menores, oportunidades de trabalho maior

Maringá deve mudar em 2030. Além de ter um predomínio das mulheres, as famílias irão diminuir em sua composição, a cidade terá cada vez mais um perfil de grande cidade. O que demonstra a integração constante com o grandes centros. A capacidade de transformação de uma cidade não é somente um fator de suas relações externas, mas a adaptação as necessidades de mudança que é resultado da gestão dos próprios mecanismos administrativos.
A redução da composição familiar é típica de áreas urbanas que a capacidade de oportunidades está crescendo. A carreira profissional se abre para os indivíduos que não estão dispostos a abrir mão de uma carreira profissional. Cada vez mais as famílias se adptam ao mercado de trabalho e não é determinante a permanência familiar sobre a carreira profissional. Famílias com poucos membros facilitam deslocamentos e impõe menos exigências.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Violência crescente, dignidade ausente

A violência é uma crescente e tende a tomar espaços que não estamos acostumados. Pensamento dominante entre os velhos moradores de uma Maringá pequena e "aparentemente" segura. A violência que toma conta da cidade é a mesma que se propaga pelo país. As condições não são diferentes e nem o sentido que a produz. Estamos convivendo com o tráfico propagado com a mesma habilidade que o produto mundial chega as prateleiras dos supermercados. A diversidade de droga é a mesma dos liquidificadores e celulares, os locais onde os produtos se encontram também se propagaram. Se as farmácias vendem bebidas alcoólicas, nas escolas se vendem drogas. Os supermercados vendem pneus, geladeiras, televisores de plasma e roupas, a família consome drogas e o irmão cossangüineo pode te apresentar ao traficante, velho amigo da prole. Estamos vivendo a escola do crime que começa em casa, onde o filho recebe a herança paterna da tática do assalto ou o esconderijo da droga guardada no motor do veículo da família em viajem de férias. Os pequenos furtos estão aumentando na proporção dos quilos de drogas apreendidos e o montante não descoberto, muitas vezes maior, que continua circulando intensamente. Mas, o que falta? Falta policiais, educação, emprego e sentido na vida. Os desconfortos da violência pode estar exatamente onde menos consideramos, nós mesmos. A vida tem cada vez menos sentido e nós vivemos o imediato, sem sentido.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Quando “Cora Coralina” é apenas um nome

A patrulha escolar de Sarandi apreendeu dois adolescentes armados. Eles disseram que levavam revólveres para a Escola para defesa pessoal. Quem está armado tem a intenção da violência. A arma ganha status de melhor argumento.
Assisti ao filme “Pixote”, sugiro que assista também “Cidade de Deus”. Vamos aprender com personagens que, por pertencerem ao meio da violência, interpretam muito bem o mal-feitor. O uso da arma é uma condição para quem precisa de uma identidade e um sentido. A adolescência determina caminhos a serem percorridos e impulsiona o jovem na busca de desafios. Isto é da idade. Mas, é irônico, porque na mesma idade que se busca na arma uma solução para a vida, o nome da Escola é um exemplo de outro caminho. Cora Coralina foi escrito goiana que aos 14 anos de idade se dedicou a escrever suas poesias, mesmo que sem publica-las. Contudo, mudou sua vida quando já tinha mais de 60 anos, inclusive o nome, Cora Coralina. Morreu com quase cem anos. Mas, infelizmente e provavelmente, este não será o fim dos adolescentes que portavam armas em uma escola em Sarandi, nem a poesia e nem viver muito. O mais próximo que estas histórias chegaram, a poetisa e os adolescentes armados, foi, apenas, o nome da escola.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Quando a deficiência é nossa

Existem vagas para deficientes nas empresas privadas, o que é uma exigência de lei, mas, faltam pessoas para ocuparem estas vagas. A deficiência não impede o desempenho do trabalho, não existe prejuízo para a empresa, mas ganhos. As pessoas com deficiência devem buscar a agência do trabalhador e se cadastrar. O trabalho permite uma inclusão do deficiente e supera a condição de marginalização. O deficiente que não tem sua autonomia econômica é colocado com um peso por familiares. Mas, deficiência não significa dependência. A inserção no mercado de trabalho permite ao deficiente dar um passo fundamental para sua liberdade.
Contudo, o grande problema de muitos deficientes é ele mesmo. Não conseguem viver sem a escora de sua deficiência, a muleta social da frágil vítima. Muitos deficientes se escoram nos limites físicos, os quais podem ser superados, para reivindicar a eterna permissividade. Devem ser atendidos em todos os pedidos, devem ter facilidades excessivas, devem sempre ser inocentados nas relações.
Já presenciei inúmeras vezes deficientes que alteram o ambiente onde chegam por uma mobilização social que se adapta a sua mínima necessidade, muitas destas adaptações nem eram necessárias. Em restaurantes as pessoas levantam e abre espaço para o deficiente passar sem que ele peça, nas escolas se facilita avaliações, reduzem atividades para os deficientes, sem que sua deficiência exija.
O deficiente deve ser amado só por ser deficiente? Não, apenas deve ser respeitado no limite de sua deficiência, o que não significa incompetência.
Se tratássemos os deficientes com iguais onde a deficiência não impõe desigualdade estaríamos fazendo um grande benefício para sua integridade. O maior obstáculos de um deficiente físico, via de regra, é ele mesmo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Bom começo

Na busca da transparência temos que defender toda a prática de atendimento aos interesses públicos. A ACIM (Associação Comercial e Empresarial de Maringá) vai oferecer curso para os empresários participarem de licitações públicas. A propostos de um curso demonstra que os empresários iniciam uma postura de respeito ao poder público e confiança em fazer negócios com um cliente (Estado) que nem sempre teve fama de bom pagador.
A atuação do Observatório Social e abertura da Prefeitura de Maringá a ação de fiscalização contou para esta ação dos empresários.
É necessário que esta prática se consolide e, ao longo do tempo, permita a confiabilidade nas ações do Estado. É necessário ampliar os órgão público comprometido com a fiscalização de organizações não governamentais. Seria impossível, infelizmente, confiar nos mecanismos oficiais de fiscalização que estão dentro do próprio Estado. A corrupção atinge diversos escalões do governo e tendem a aumentar sua capacidade de contaminar toda a máquina pública.
A presença de organismo que se comprometam a fiscalizar o poder público tem que ser incentivada.
Quando nos preparamos para licitações honestas e demonstramos a possibilidade de gerenciamento competente dos gastos públicos iniciamos uma tarefa difícil, de lutar contra tudo o que representa uma cultura impregnada na sociedade brasileira.
Não somos a única nação do mundo a propagar a corrupção, mas somos intensificadores esta prática como um ritual, destes que tem que ocorrer porque nos identifica e muitas vezes vira o sentido do poder público ou da vida privada.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A um ser humano atrás de um corpo

Esta semana conversei com meus alunos sobre a consciência que temos que ter sobre o comportamento sexual. Aprender a diferenciar o ato do sentido que a sexualidade deve ter em nossas vidas. Somos muito mal educados sexualmente. Vivemos mais o consumo do corpo do que a entrega ao outro. Não temos o menor critério ao nos entregarmos às pessoas. Vivemos o limite de tudo em nosso próprio sentimento e orgasmo. Reproduzimos na vida a cama e a cama na vida, isto quando usam a cama. Alguns fazem em pé, o que não é ruim, desde que não seja falta de opção e sim variação de posição.
Este rompimento com o caráter consumista do corpo impede que a profundidade das relações eduque a afetividade dos jovens. Eles continuam crescendo com recalques, falta de auto-estima, capacidade de discernir entre o sentimento imediato, e lógica futura das ações.
Confesso que a aula me deixou apreensivo. Conversar com adolescentes sobre estes temas é delicado, gera sentimento de contrariedade e tensão, mas calculo que na vida os melhores aprendizados são fruto dos embates angustiantes de nossa existência. O aprendizado vem de fora e se alimenta da angústia que fermenta dentro de nós.

O melhor programa social

Projeto de construção de alcooduto de 528 km, ligando Maringá a Paranaguá esta se tornando uma realidade. A Copel, Alcopar e Compagás seriam parceiras na construção do alcooduto. A obra levaria a produção de álcool da região norte e noroeste para a exportação.
A produção de etanol seria exportada com maior facilidade, reduzindo custos e permitindo a intensificação produção de álcool na região norte e noroeste.
O estudo de pré-viabilidade do projeto do alcooduto já passou a primeira fase, a de viabilidade. Na segunda fase, a que está em andamento, é o detalhamento da implantação e viabilização da obra, ampliando parcerias na construção.
As mudanças serão significativas para nossa região. Produção de álcool se amplia e ganha uma condição de redução de custos de produção, redução do custo de transporte e geração de emprego. Serão 300 mil metros de combustíveis mensais, fator que incentivariam o aumento da produção.
O caminho percorrido da região noroeste até o Porto de Paranaguá utilizaria áreas onde já estão instaladas as linhas de transmissão, gasodutos e oleodutos, sem prejuízo para a ocupação de áreas produtivas.
Projetos como este trazem a necessidade de revermos o nosso papel enquanto área econômica agroindustrial. Não podemos perder a oportunidade de consolidarmos uma função no mercado internacional. Investimentos como este geram mais respostas do que programas assistenciais sem uma finalidade de integração a economia formal.
Melhor do que distribuir pratos de comida é dar um sentido a vida. Que venha o alcooduto.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Problema do Mito

Ser um ídolo é uma função ingrata. A condição da perfeição que é imposta ao mito pode ocasionar sua depressão quando ele não consegue suportar o peso do próprio sucesso e a expectativa que se cria com suas práticas, Daiane dos Santos na ginástica, por exemplo. Em outros mitos temos o excesso de confiança e a capacidade de ser insuportável. A lista dos indesejados por se acharem mito é imensa. Podemos destacar Romário, Edmundo, Tevez, Pelé, Maradona, etc. Todos estes e muitos outros foram vítimas do próprio excesso.
Em Maringá temos Ricardinho do Vôlei, um dos principais jogadores da seleção brasileira que foi cortado pelo técnico Bernardinho por causa do excesso. Faz bem o técnico é necessário por limites. Esperamos apenas que Ricardinho entenda que faz parte de uma equipe e que não constrói a verdade do todo sendo importante em uma parte. Suas qualidades enquanto jogador não o autorizam a ser senhor do time ou intervir na função do treinador. Mas, enquanto que alguns tentam demonstrar a verdade, o mito tem seus discípulos e não faltam os que babam em torno da divindade, prontos a convence-la que sua razão é eterna e seus atos irreprimíveis.
Deste fato podemos tirar apenas a conclusão que ele não se encerra no excesso dos mitos, faz parte, cada vez mais, da prática de cada um, estamos acostumados a nos consideramos pequenos mitos de nossas vidas, buscamos discípulos, mas no fundo estamos sozinhos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Perigos da profissão

Foi importante o debate de hoje com meus alunos de jornalismo sobre o exercício da profissão. Critiquei a preocupação demasiada com a técnica e o quanto esquecemos do conteúdo necessário para o crescimento do profissional e para o sentido que sua função exige. O jornalista é um analista social e um literário eterno do cotidiano. Uma obra que, muitas vezes, lhe foge do roteiro mas lhe impõe a necessidade das mãos na busca da essência da sociedade, a qual é sua matéria-prima e os fatos que ela promove as gotas que encharcam o sentido da vida na comunicação. A comunicação é encantadora, mas seu condutor tem que ter a competência para atuar com coerência e se desejar fazer diferença na contudo profissional e social. É preciso construir mais um homem e menos um operador de funções sem sentido. Evitar o simples relator de fatos.

Observatório Social

O município economizou nove milhões com a atuação do Observatório Social. A participação da entidade acompanhando as compras e mantendo um controle rígido sobre os gastos públicos deu resultado. Os nove meses de trabalho do Observatório são a demonstração de que é possível a transparência nas contas do Estado na administração recursos que pertencem a população. O espírito privado dentro do gasto público é fundamental. Existe um excesso em pagamento de produtos com valores elevados, estoques desnecessários e falta de controle sobre o patrimônio do Estado. Nestas brechas muitas empresas fornecedoras do estado se aproveitam para obter vantagens e se beneficiar de desvios de recursos e superfaturamentos. O sucesso de um controle sobre os gastos do Estado não significa que o governo deve se tornar uma empresa. Não podemos, contudo, confundir a função do Estado como representante dos interesses sociais. A necessidade de um acompanhamento dos gastos públicos por instituições que represente a sociedade e gere transparência da máquina do Estado é elogiável e necessário. Porém não podemos cair no tecnicismo pregado pelos regimes autoritários em que para os cargos representativos tínhamos que, obrigatoriamente ter técnicos. Temos sim, que nos cargos técnicos ter especialistas. Nas secretarias e ministérios, nos escalões de alto e baixo comando da administração do Estado precisamos de mão-de-obra capacidade. Romper com o clientelismo e empreguismo colaboraria demasiadamente para a economia dos recursos públicos. Por isso não é preciso de um presidente, governador ou prefeito que seja formado em administração, mas um representante público transparente em seus atos e uma máquina pública com mecanismos de controle eficientes, como no caso de Maringá o Observatório Social está fazendo com a administração municipal.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Retrato trágico do Brasil

Um Airbus da TAM (vôo JJ3054) que transportava 186 pessoas derrapou na pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo e se chocou com um prédio da própria TAM e explodiu. Hoje, o acidente representa o maior acidente aéreo da história do Brasil, e um dos 30 mais graves da aviação mundial. O que todos os brasileiros se perguntam é: O que está acontecendo com a aviação brasileira?
Vivemos nestes últimos anos um aumento significativo do uso de aviões pela população brasileira como opção de transporte para longas distâncias. A acessibilidade ao consumo de passagens aéreas foi um dos significativos ganhos dos consumidores com a estabilização monetária que o país vive. O preço é amargo em uma estrutura que não acompanhou o mesmo crescimento. O risco que os passageiros passam constantemente ao pegarem vôos domésticos no Brasil é assustador. Aeroportos sem estruturas, controladores de vôos administrados por uma estrutura pública antiquada, herdada da Ditadura Militar, empresas aéreas que em busca do lucro fácil não se preparam com estruturas físicas e humanas para atender os passageiros, aparelhagens de controle do vôo arcaicas que geram precariedade do controle do espaço aéreo, enfim uma aviação precária diante de um mercado, até agora, promissor.
A tragédia com o avião da TAM é um retrato do descompasso entre um país administrado pelo improviso, com descaso ao direito do cidadão e o desrespeito ao consumidor. Cada vez mais temos menos informações sobre os verdadeiros motivos de um caos na aviação. A transparência não chega entre os mecanismos que administram a aviação no Brasil, como não chega em boa parte da administração pública.
Para piorar o caos e a crise em que vivemos temos que considerar que este acidente já estava anunciado em sinais que vão de acidentes pequenos em aeroportos até mesmo caos e atraso nos principais aeroportos do país.
Toda vez que pensar em um retrato da crise que o país atravessa, lembre-se deste acidente. Ele é a cara do Brasil.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Mãos na Obra

Enquanto ficamos discutindo a Convenção do PMDB e a vitória de Crispin, o PAC chegará a Maringá através de várias mãos (Silvio Barros II, Ricardo Barros, Ênio Verri, Roberto Requião e Luis Inácio Lula da Silva). Enquanto ficamos discutindo se o PMDB seria ou não invadido para servir aos interesses externos, a convivência entre as diferenças gera recursos para Maringá em uma ação supra partidária. Lembro-me daquele velho ditado: "enquanto alguns vão com a farinha outros já assaram o pão". Os acordos e alinaças nacionais para a manuntenção da governabilidade vão além dos meros acordos locais. Estes se agrupam e rompem ao prazer dos mecanismos de poder que sustentam a máquina nacional. Podem fazer efeito e ter seus limites de intervenção, mas não podem romper a própria estrutura que os sustentam, a máquina politica nacional. Sendo assim, o Crispin ganhou, mas não levou. Afinal este é o limite do que se pode fazer, de quem faz e para que serve. Mais uma lição do que é o PMDB.

O PAC chega a Maringá

Estamos recebendo 25 milhões do PAC que serão investidos na revitalização da região do Bairro Santa Felicidade, um dos bairros mais carentes de Maringá. Importante decisão que cria uma expectativa de melhorar a qualidade de vida de um nódulo da periferia. O Bairro Santa Felicidade e adjacentes tem criado um poder paralelo ligado a violência. As características de comandos locais dominados por criminosos e que assumem muitas vezes funções que pertencem ao Estado cresce constantemente no Brasil. Isto dificulta a ação dos aparatos de controle e fortalece o poder do crime que, rapidamente se organiza. Para a população carente a ação assistencialista do crime gera cumplicidade e a falência da cidadania.
Maringá não foge a regra e tende a tomar o caminho de uma guerra urbana onde de um lado a região de bem estar e de outro a miséria concentrada se enfrentam. Infantil quem considera que estas duas realidades não provocam uma tensão cada vez maior e propagam com isso a violência diária. Menos porque os miseráveis existem, mais porque servem com matéria-prima, mão-de-obra para os interesses escusos de quem vive nas regiões de privilégio. Crime não é comandado pelos moradores periféricos, sua liderança mora, veste, come e dorme bem.
Os trabalhadores urbanos de baixa qualificação moram na periferia e observam, tocam e cheiram nosso lixo de excesso e não reciclado, transitam entre a possibilidade das áreas centrais e a falta de condições mínimas das periferias. Esta realidade fere os olhos, machuca a alma e revolta a mente, muitas vezes limitada, de quem vive no dia-a-dia entre a falta e o excesso.
Esperamos que o PAC faça sua parte em Maringá, afinal a revitalização de bairros é elemento vital para o crescimento econômico. A qualidade de vida gera investimentos e produtividade.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Imagem de papel

Maringá ficou na 33a. posição entre as cidades de melhor condição para se fazer carreira profissional. O que determinou isto foram às escolhas que Maringá fez nos últimos 20 anos. Maringá abriu mão do desenvolvimento industrial como diretriz de crescimento, perdeu o mercado atacadista como pólo e conseguiu conciliar o agronegócio com uma política de prestação de serviços estruturando a cidade para atender ao consumo varejista. O desenvolvimento das instituições de ensino superior permite formar um novo produto, a mão-de-obra qualificada. A prestação de serviço cresce e mantém uma cadeia de instituições de comércio varejista que domina a vida e a paisagem econômica da cidade. Que belo quadro se tudo fosse teoria. Esta mesma condição é ambiente propício para criar um comportamento consumista em uma sociedade onde parte considerável dos jovens que freqüentam as instituições de ensino tem um poder médio ou alto de consumo. São consumidores natos de uma vida fácil e de prazeres constantes. Que pena que ainda não conseguimos aliar as instituições de ensino a uma vida cultural mais intensa e uma formação humana que seja construída com atividades públicas que evoquem o sentido da ciência e da tecnologia na vida social. Descarregamos a força de nossa existência em comportamentos medíocres, em prazeres que nos assustam em forma de violência. São eles que demonstram que as instituições de ensino não têm melhorado o caráter do ser humano que a freqüenta. Também não acredito que isso possa ocorrer. Medimos o homem pelo bolso e não pelo caráter. Não construímos bons modelos de liderança nos últimos anos, não propagamos um homem melhor como identificação pública. O número de crimes, corrupção, desmandos, consumo de drogas, assassinatos e trânsito nos condenam.
Diante de nossa posição na lista de cidades onde se pode construir uma carreira profissional, fico me perguntando que carreira pode ser construída? Que homem estamos construindo?

A vitória da “tradição”, saída honrosa ou empate premeditado?

O Diretório Municipal do PMDB de Maringá realizou ontem (15/07) sua convenção para a escolha de uma nova presidência. Na disputa a Chapa Roberto Requião, encabeçada por Humberto Crispin e a Chapa Manda Brasa, liderada por uma dupla, sem se saber direito quem liderava, Mario Hossokawa ou Pupin. A chapa Governador Roberto Requião obteve 587 votos e a chapa Manda Brasa, 499 votos. Mas, quem venceu?
Ficamos durante o final de junho e a primeira quinzena de julho em uma discussão “profunda” sobre o destino do maior partido do Brasil em Maringá. Acreditava, até mesmo, em uma intervenção do Governador, mas quando Requião ao inaugurar uma obra do Corpo de Bombeiros em Jandaia do Sul disse que aceitaria a chapa que vencesse as urnas, pensei: democracia doméstica não combina com a política de caudilho. Da mesma forma me veio a lógica de Maquiavel em sua obra “O Príncipe”, o governante entrega ao povo o direito de decidir o que não tem escolha, já está decidido.
Acredito que, pelos números, a vitória da chapa Roberto Requião faz sentido no próprio nome, a liderança do partido é fruto de uma sociedade de interesses múltiplos e que se vê minada pela capacidade de articulação de lados opostos, que se unem para manter o poder, eis a lógica da política e de quem governa. Crispin continuará mais pelo amor a cadeira e seus benefícios do que pela função, isto se existe outra função que não seja permanecer. Na capacidade de sobrevivência Crispin é mestre.
A Chapa Manda Brasa tinha nomes históricos, mas em grande parte foi organizada para conter as articulações que poderiam ocorrer com o PMDB procurava defender interesses ligados a Silvio Barros II, este objetivo foi alcançado, mesmo com uma derrota nas urnas. A nova composição da diretoria do partido impedirá excessos nas coligações, facilitando articulações e possibilidades sem contratempos para quem estiver disposto a negociar com a sigla.
Acredito, enfim, que não houve uma vitória, mas o resultado foi o empate, como tudo no PMDB não se define nas urnas internas do partido, ou nas eleições que participa pelos cargos públicos no país. O PMDB permanece pois está em todos os lados e em tudo. É um partido de negócios constantes e sócios temporários. Parece mais uma bolsa de valores do que um partido político. Nesta lógica, Cláudio Ferdinandi foi o grande vencedor, um pemedebista histórico e único capaz de administrar uma sociedade como o PMDB.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Frente de ocupação urbana

Prefeitura Municipal de Maringá busca mecanismos legais para criar condições de se obter terrenos para a construção de casas populares. As chamadas Zonas Especiais de Interesse Social são espaços que podem ser reservados para a construção de moradias para as camadas populares, respeitando o plano diretor da cidade.
A regulamentação dos terrenos, através do plano diretor, é flexibilizar as diretrizes para se obter terrenos para a construção de moradias populares por um custo menor através de financiamento da casa própria. Cerca de 8 mil pessoas estão a espera de uma casa própria.
O poder municipal esta levantando a realidade econômica destas oito mil pessoas. A intenção é ter uma dimensão do problema e poder superar as necessidades com um projeto de construção de moradias, no máximo em médio prazo.
A moradia é um desejo de boa parte da população de baixa renda. Construímos em toda a nossa vida a casa própria como um dos sinais de prosperidade pessoal. Contudo, se formos analisar as condições em que muitas casas populares são oferecidas e sua localização, percebemos que a “casa própria” pode ser uma contradição em relação ao interesse do próprio cidadão que tanto a deseja. Morar distante demais do local de trabalho pode inviabilizar a moradia. Optar pela casa ou pelo emprego pode significar perder os dois – emprego e casas. Outro fator a ser relevado é o custo de mensalidades de financiamento, as quais podem transformar o aluguel em peso menor que a mensalidade da casa própria.
Não podemos nos esquecer que ao longo do tempo a localização de casas populares eram fundamentais para tornarem atraente para o mercado imobiliário terrenos distanciados do perímetro urbano. As casas populares servem com elemento de expansão do comércio de lotes urbanos, fazendo com que se viabilize estruturas públicas como luz, água, pavimentação, segurança, educação e se estimule a implantação de transporte coletivo e comércio varejista, ambiente necessário para um bom mercado imobiliário. Esta é uma condição inevitável nas relações de capital, o que não viabiliza uma política de moradia pública. Apenas temos que promover a valorização de terrenos sem impedir que seja eficiente e cumpra as necessidades de quem é o objeto de interesse de uma política habitacional, a população de baixa renda.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Agradecendo a participação

Fiquei muito contente com a possibilidade de participação do "Programa Contraedição". É sempre fundamental ter uma discussão com um formato sóbrio e profissionais coerentes ao nosso lado. O trabalho com o Angelo e o Ravagnani foi muito positivo. Quanto a possibilidade de trabalhar permanentemente no programa estamos discutindo, mas fiquei feliz pela oportunidade.

Baleado e sem médico, assim está a sociedade

Alessandro era frentista e foi baleado pelo assaltante e levado para atendimento médico no HU (Hospital Universitário). Contudo a falta de vagas na UTI deixa a vítima de um assalto diante de uma outra condição em que é vítima, o descaso da saúde pública.
De repente estamos vivendo os mesmos dramas dos grandes centros, porque de repente viramos um pesadelo que nossa imagem de comunidade segura e pacífica não suportou.
Nossos aparatos de segurança anunciados pelos meios de comunicação como eficientes mostram fragilidade diante do crescimento das ações de violência. Os limites para controlar a ordem social já não funcionam com a mesma eficiência. O que está ocorrendo? O que mudou?
Acredito que as transformações econômicas e sociais não foram acompanhadas pelos serviços públicos. Acredito que não temos mais a condição de garantir que a política de desenvolvimento de Maringá pare em uma proporção em que, o nosso “condomínio fechado”, sobreviva sem invasores. Já estamos invadidos.
Se formos tentar entender o porque Maringá sempre sonhou em se isolar das condições de violência, entre elas a miséria que se concentra em sua periferia, chegaremos a conclusão que o principal fator da violência é o tráfico, que grande parte dos assaltos e vítimas são conseqüência da busca de condições de consumo de drogas.
A constatação final de todo o drama do frentista que foi baleado e pode ser vitima da falta de atendimento médio é que, a falta de segurança e o descaso com a saúde são o reflexo de uma cidade que não soube compreender que o pior bandido não é o marginal periférico, mas sim, os filhos bem alimentados e saudáveis que consomem desesperadamente as drogas que alimentam a violência que agora nos assombra. Foi a falta de sentido humano que tem transformado os noticiários em uma seqüência de violência e caos. Se reclamarmos dos barulhos dos vestibulandos e universitários embriados, temos que reclamar do assaltante e do hospital que não tem vagas na UTI, mas temos que assumir que o que colhemos hoje foi uma semente plantada a mais de vinte anos, nossos filhos banhados a excesso e sem perspectiva de futuro.