quarta-feira, 20 de junho de 2007

O que leva os pais à não vacinarem os filhos?

Uma pergunta que denuncia o que não temos mais com prioridade, a saúde de quem está a nosso lado. Nem a nossa nós cuidamos, imagine de alguém que cada vez mais não representa um elemento fundamental de nossas vidas, os filhos.
Em reportagem vinculada a CBN sobre o consumo de álcool entre crianças e adolescentes, denuncia que o início do consumo de bebidas alcoólicas estava associada a família, ou seja, são os país os primeiros a oferecerem bebidas para os filhos. Contudo, vacina não.
Podemos considerar que uma campanha de vacinação mereça uma grande atenção do Estado e deva ter uma penetração sensível na sociedade. Podemos questionar a eficiência da publicidade que antecedeu a vacinação anunciando a campanha contra a paralisia infantil. Contudo, a saúde preventiva, ou mesmo remediativa, é desprezada ou relegada, o consumo de álcool não.
Mas, se formos entender de uma forma mais lógica o porque, as campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas são intensas e atraentes, constantes e interessantes, geram uma sensação de prazer que, pode até estar mais na vacina e sua capacidade de prevenir, mas não terá a mesma sedução.
Campanhas de vacinação precisam ser intensas, demonstrar a importância de prevenir doenças, de manter a higiene pessoal, ou ter e manter uma dieta saudável serial vital para a superação de problemas que atingem parte considerável da população. Reduziríamos a utilização de leitos hospitalares e remédios. Freqüentaríamos menos as farmácias, assim como os bares. Até mesmo uma lei seca seria dispensável diante da consciência de nossas responsabilidades com o futuro. Mas, os pais se esquecem dos filhos por estarem embriagados de mais. Aqui a embriagues não é só da bebida, mas também da vida em torno do umbigo, que para muitos é o centro do mundo.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Volta ao Trabalho

Justiça determinou a reintegração dos 28 servidores que foram exonerados por conseqüência da greve de 2006, por sinal uma das mais, se não a mais, conturbadas da história do poder municipal. A exoneração foi por insubordinação grave. O sindicato dos servidores municipais questionou a decisão de exoneração e recorreu a justiça exigindo, entre ouras coisas, a isonomia, considerando que dos 32, 28 foram exonerados. Outro questionamento do sindicato dos servidores municipais foi o princípio da impessoalidade, visto que ação de insubordinação foi cometia contra o prefeito e o prefeito aplicou a pena.
Por ter sido uma liminar a Prefeitura Municipal vai recorrer tentando suspender a decisão de reintegração dos funcionários exonerados. Já o Sindicado quer anular a decisão de demissão.
A Juiz Carmen Lúcia Ramagio, que assinou a liminar da reintegração dos funcionários aos seus cargos até que o processo esteja julgado em definitivo, considera que não está sem questionado o mérito do processo com a decisão tomada, mas sim a tentativa de não dar prejuízo nem aos servidores com ao erário público.
O que estamos assistindo é o lançamento de uma regravação da velha história que envolve a relação entre o Estado e o funcionalismo público. Estamos presenciando o a luta entre o movimento sindical do funcionalismo público acostumado com as benesses do Estado que tudo perdoa e seu discurso da perseguição ideológica que transforma a ação de violência em luta sindical, com uma tentativa de trazer para a administração pública a prática de punir o ato de vandalismo de excessos que não justifica a luta pelo direito dos trabalhadores.
A luta sindical é legitima e árdua, necessária para garantir os interesses de uma categoria profissional. Não existiria a menor condição de trabalho se não fosse a representação dos trabalhadores, o grande problema é o que se transformou um direito legítimo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O recorde agrícola

O IBGE aponta uma safra recorde este ano, mas os produtores agrícolas consideram que o recorde não virá, mas confirmam o excelente momento da capacidade produtiva do país. Assim a agricultura é recorde e garante ao sul do Brasil a liderança, com mais de 130 milhões de toneladas a agricultura brasileira demonstra o potencial de produção que o campo determina sobre a vida econômica do país. Diante da euforia, uma reclamação, os produtores consideram que o dólar desvalorizado está sendo prejudicial aos produtores e pedem mudanças na política cambial. Não podemos nos iludir, não estamos mais na “república café com leite”, onde tínhamos o império do “rei café” e seus Convênios de Taubaté. Neste período, a história econômica brasileira era marcada pela transformação do Estado em uma extensão do poder agrário-exportador e a economia brasileira era determinada pelo movimento que setores agrícolas determinavam ao país. Não estamos também nas benesses da ditadura militar, que tinha na valorização dos produtos agrícolas e seus subsídios ilimitados, que por sinal fez muito da riqueza de nossa região.
Felizmente vivemos a economia de mercado onde demanda e produção apresentam uma relação vital na compreensão dos preços e produtos como fonte de riqueza. Uma interferência no câmbio do país para atender a setores da economia, seja ele qual for, colocaria em risco toda a política de estabilização econômica, seja a inflação ou investimentos externos.
Os preços dos produtos agrícolas estão em alta no mercado internacional e a nossa agricultura exportadora ganha com isso, assim deve ser mantida a condição de produção, que por sinal teve um avanço tecnológico significativo graças ao mesmo dólar estável e de valor reduzido em relação ao real.
Mais uma vez, volto a repetir, os tempos da república oligárquica cafeeira já passou, assim como dos subsídios agrícolas da ditadura. Temos que entender a economia mundial como um determinante das condições de produção e comercialização de todos os bens produzidos no mundo do capital. Quem defende a interferência do governo federal no câmbio, defende a “socialização de perdas”, ou seja, quando é prejuízo socializamos, quando é lucro fica na mão de poucos.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Você considera namorar importante?

Acredito que o namoro é fundamental. Amar é sempre uma expressão de que o mundo tem alguma esperança e respeito. Mas, o ato de cortejar tem regras, e elas deveriam levar em consideração o respeito a quem se ama e deseja. Mas, aí repousa o problema do namoro contemporâneo. Namorar nem representa uma etapa da conquista ou a manutenção da mensagem fundamental de que se tem alguém na vida. O namoro virou uma condição que satisfaz os namorados, mas não preserva o namoro. O ato de namorar é apenas o pretexto para uma comemoração onde o outro (namorado ou namorada) é a alegoria necessária para se sentir amado.
Quando o dia dos namorados chega, comemoramos com grande intensidade de presentes e declarações. Algumas destas declarações ganham música, flores, trio-elétrico, outdoor, enfim, tudo em nome do “amor”. Mas, em muitos casos o espetáculo não tem compromisso com a obra. O que se anuncia em palavras bombásticas não representa um sentimento duradouro, é apenas a demonstração pirotécnica da comemoração.
Por isso, o jantar a luz de velas, os violinos e flores, as intermináveis declarações de amor regadas à champanhe tem, em muitos casos, a falsa idéia que estamos comemorando algo profundo, mas é apenas, em muitos casos, o imediato. Não há o compromisso em cumprir o que as palavras professam, ou confirmar o que se tem sentido e feito, mas apenas falar para sentir a sensação de como seria se o sentimento realmente existisse.
Contudo, nem tudo está perdido. Quando lembro de meus avós, ou mesmo de meus pais, quando lembro de alguns casais, não me vem a interminável declaração de amor verbal ou simbolizado em objetos. Acredito, mesmo, que meus pais e avós tenham se declarado esteticamente em segredo, e mesmo assim algumas poucas vezes em sua longa trajetória juntos. Os casais contemporâneos declaram amores infinitos que mal duram o dia em que se comemora o dia dos namorados. Aí me pergunto, o que é o amar? E o que é viver amando? E a quem se ama?
Acredito que muitos amam a si mesmo no outro.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A morte é cada vez mais “jovem”

A morte de Tiago Franchini da Costa abalou de 21 anos abalou. Contudo o desdobramento do fato demonstra que foi mais um crime envolvendo as drogas e os jovens, pior, adolescentes. O vício ganhou uma proporção de dependência na medida em que o viciado supera limites para a compra da droga. Cada vez mais os crimes ganham uma plástica violenta e chegam a atos de crueldade extrema. Não respeitam princípios, tudo vale na busca de satisfazer o desejo da dependência. Dependência que não está só nas drogas, mas é nela que percebemos a dimensão do quanto estamos dependentes. Independente do que seja, nos viciamos intensamente.
No assassinato de Tiago devemos lamentar a vítima e o vilão, todos jovens. Se lamentarmos o jovem estudante de medicina pelo futuro brilhante que teria, lamentamos os que o assassinaram por ter chego ao fundo do poço e não ter futuro nenhum.
É muito sedo para morrer e matar assim. É muito pouco tempo para alguém ficar dependente de drogas e dar a vida por isso. Facilitamos o acesso a tudo sem construir um ser humano para lidar com a própria vida.
A morte de jovens e a violência que eles praticam, ocorrem em qualquer lugar, os espaços já não definem as intenções, e em todos os lugares que vamos nos encontramos com todas as possibilidades, inclusive a de não voltar. Infelizmente, temos que acreditar que estar vivo e continuar vivendo, pode ser, em alguns casos, uma questão de sorte.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Adultescência

Dizem que a adultescência é a manutenção de hábitos, práticas da adolescência na fase adulta. Homens e mulheres que estão entre 30 e até mais de 40 anos e mantém costumes e hábitos típicos de um adolescente. Jogos, música, roupas e, é claro, consumo. Para os adeptos da prática, associar objetos e costumes dos adolescentes contemporâneos, ou mesmo valores de sua adolescência, é saudável e buscam a manutenção do que chamam "espírito jovem".
Não vejo problemas na adultescência se ela não fosse uma forma de disfarçar a "falta de juízo", ou até mesmo o medo de crescer e assumir responsabilidades.
Ao assumir a imagem de um adolescente, muitos homens que tem uma idade "adulta" fogem de enfrentar seus problemas e de se responsabilizar em educar a geração de adolescentes que, necessitando de uma orientação e modelo, tem que conviver com um adulto que se nega a crescer, o "adultescente".
Fico envergonhado em ter que admitir que parte da minha geração (a dos quarentões) não conseguiu produzir sua própria maturidade e reedita valores de gerações que a antecederam ou tentam reproduzir a adolescência contemporânea. Minha geração tem componentes que são eternos filhos, que apesar dos trinta e quarenta, ainda não saíram da barra da saía dos pais e estão desempregados por não saber ter feito escolhas.
Assim temos que separar os adultescentes. Eles podem ser apenas a escolha pelo prazer, o gosto pelos valores e estética da adolescência, e o adulto ainda é determinante nesta escolha e sabe seus limites. O outro, abominável adultescente, é aquele que assumiu integramente a adolescência, por mais que sua idade contradiga seu desejo, ele se nega a ser homem adulto pois a responsabilidade da vida é um peso insuportável, fardo difícil de carregar. Aí a preocupação deve ser com as gerações de adolescentes que tem como pais um adultescente. Ou serão adultos precoce, o que de certa forma resolveria o problema, ou não saíra das fraldas. Os netos dos adultescentes, possivelmente, se neguem a nascer e prolonguem a gestação por anos.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Semelhanças de um ditador

“Cercado por um mar de lama!” A expressão, em plena decadência de sua fase populista, quando exercia a presidência da república em 1954, Getúlio Vargas assumia que vinha de dentro do Palácio, na época, do Catete, e o que é pior, de sua família, a destruição de sua imagem que culminou com um fim trágico, seu suicídio em agosto de 1954. Getúlio, naquele tempo, estava cercado por problemas de corrupção, combatido por CPIs e próximo a agonia política. Mesmo assim, contava com um grande apoio popular, o que fez de sua morte uma tragédia, contrariando a oposição que esperava um alívio.
Hoje, Luis Inácio Lula da Silva tem sua família próxima a um drama getulista. Seu filho é apontado como um beneficiário do esquema Telemar, seu irmão, Vavá, acusado de envolvimento com Nilton Servo, ex-deputado, vergonhosamente por Maringá, que chefiava uma quadrilha de jogos ilegais, e foi preso em Uberlândia. Outra proximidade getulista em Lula é o envolvimento de um “compadre” Dario Morelli Filho envolvido na Operação Xeque-Mate, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha.
Mas, apesar das semelhanças das “famílias metralhas”, o final me parece não ser o mesmo. Não teremos suicídio por parte de Lula. Uma demonstração de novos tempos ou a falta de coragem do postulante ao auto-extermínio?
Acredito que existe uma condição nova que impeça que a tragédia se repita. Como afirmava Marx, o teórico do socialismo científico, na história quando algo se repete é porque no original foi uma tragédia, sua nova versão é uma comédia.