quarta-feira, 4 de julho de 2007

Não há do que reclamar

27,8% dos candidatos que fazem o vestibular da UEM (Universidade Estadual de Maringá) são do interior de São Paulo. A Universidade é procurada por vestibulandos de todo o país, mas são os paulistas os que mais se destacam no ingresso dos estrangeiros na UEM para cursar o ensino superior.
A universidade pública cumpre um papel fundamental na vida social e econômica de uma região como a nossa, onde o desenvolvimento econômico voltado a agroindústria, ou mesmo a prestação de serviços expressa um cliente que quer morar em uma cidade onde a qualidade de vida atenda a uma população capaz de consumir. A grande quantidade de instituições de ensino superior em Maringá não é uma obra do acaso, é um reflexo da política social e econômica desenvolvida pela cidade para atender as necessidades de um consumo varejista que atrai alunos de cidades vizinhas, de um bom poder aquisitivo, que encontram em Maringá as benesses de um ambiente voltado aos seus interesses, nem sempre nobres como a formação acadêmica. O número do consumo de bebidas alcoólicas e do tráfico de drogas tem muito a ver com o universitário.
A busca de uma política pública de inclusão não mudaria este quadro, assim como a federalização da Universidade Estadual de Maringá. Uma instituição de ensino reflete as relações sociais, política e econômicas onde ela está inserida, a criatura é o espelho do seu criador.
A federalização da UEM poderia criar uma realidade nova em relação a política de carreira docente, técnico-administrativa, gerar uma condição de sustentação de recursos, mas para a comunidade não traria efeitos, por sinal desprenderia ainda mais o ensino público superior das pressões regionais. O sonho de ter vínculos com o governo federal e não mais com o estadual é um sonho antigo da UEL e UEM. Um sonho que, se um dia se realizasse, ajudaria a levantar ainda mais os muros da instituição com os interesses da cidade.
Quanto as paulistas que "baixam em nossa área", conquistando as vagas que muitos dizem ser dos maringaenses, temos dois caminhos a seguir, nos preparar para vence-los no vestibular, ou defendermos cotas também para os nativos, talvez assim podemos editar uma nova modalidade de carente, o Maringaense mal formado no ensino médio, cujo único mérito terá sido nascer aqui tendo nas mãos um boletim recheado de notas baixas.

Um comentário:

glauber disse...

O fato do universitário ser visto como um alcolatra e drogado,não é muito bom.Eu ainda acredito e insisto,que a nossa grande maioria de universitários tem se entregado ao conhecimento e vem se preocupando com o futuro cada vez mais.É muito engraçado como "nós" paranaenses estufamos o peito para dizer que a educação em São Paulo é uma barbarie,na verdade é uma acusação que nem nos mesmos acreditamos.Os vestibulandos estão realmente com muito receio de receber aqui em Maringá os Paulistas.Claro que ,nenhum dos que vem de lá pra cá é formado em escola pública,mas se fossem o Mario,Geraldo e Serra estariam de Parabéns.

PS:Li à dias que o número de pessoas cursando em faculdades a distância aumentou em Maringá no ultimo ano e cresce pelo ano de 2007.

Atenciosamente
Glauber