segunda-feira, 28 de maio de 2007

Vila Sésamo está de volta

Quem não se lembra da Vila Sésamo, a versão brasileira do Sesame Street norte-americano. No Brasil o programa fez sucesso na década de 70 (1972-1977) e retorna pelas mãos da TV Cultura. Na década de 70 o programa era apresentado em uma parceria da TV Cultura e da Rede Globo e contava com participações ilustres de Aracy Balabanian, Sonia Braga e Amandu Bogus. Os personagens Garibaldo e Caco nunca foram esquecidos, pelo menos pela minha geração. O retorno de Vila Sésamo demonstra a capacidade de ter programas educativos na televisão e a necessidade de conduzir com responsabilidade os conteúdos de programas infantis, os quais foram invadidos pela intenção exclusiva do lucro e da exploração visual. Após Vila Sésamo a televisão foi invadida por loiras oxigenadas de sandálias e batons, minissaias e músicas típicas da indústria fonográfica e de mensagens duvidosas. Construímos com a infância um pacto de mediocridade, desde de então, com a idolatria do consumo. Transformamos nossos filhos em adultos pequenos, onde a estética idealizada de corpo contracena com o vazio mental. Com o retorno de Vila Sésamos existe uma possibilidade de resgatar a função da mídia como instrumento de educação com qualidade, e quem sabe construir o futuro em vez de destruir.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A base de críticas...

Esta semana, eu recebi críticas pesadas pelo posicionamento favorável a exoneração dos 28 funcionários da Prefeitura de Maringá, que foram demitidos devido à invasão do paço municipal e depredação do patrimônio público. Não me importo com as críticas, mas considero necessário esclarecer que tem que haver um limite na ação do movimento sindical fundamentado no clientelismo e paternalismo do Estado. Criamos um vício de que toda e qualquer ação do movimento trabalhista tem que ser tolerada por que o trabalhador é um “eterno” protegido do estado e injustiçado social. Esta concepção getulista, forjada para controlar a relação entre capital e trabalho funcionou durante a política do controle ideológico e das organizações sociais dependentes da tutela do Estado. Contudo, estamos vivendo outro momento, onde a libertação do intervencionismo estatal exige responsabilidade sobre os nossos atos. O que demonstra a necessidade do movimento sindical assumir sua responsabilidade na conduta na liderança de classe.
Outro fator do qual fui acusado é de compactuar com o autoritarismo do Prefeito Silvio Barros II, onde sua atitude de exoneração dos funcionários significou exaltação do autoritarismo e da retaliação. Meus caros, que “santa ingenuidade”. Vamos admitir, por um momento, que o prefeito tenha feito uma retaliação e perseguido seus inimigos ideológicos através da exoneração. Que toda a ação do prefeito tenha sido pensada em eliminar a oposição ideológica alojada no sindicato dos servidores municipais, e que muitos inocentes pagaram por isso. O que considero algo esperado em um jogo de forças onde as relações ideológicas estão presentes. A culpa maior recai na ação do prefeito ou na incompetência estratégica do movimento sindical, o qual não calculou os riscos da ação que estava promovendo? Quando se entra em um embate como o que os servidores entraram, todos os passos deveriam ser calculados. A estratégia de ação contra o governo municipal foi levada a extremos durante a paralisação. E para concluir, a invasão do paço municipal foi o erro fatal para a derrocada do movimento grevista, ou seja, dar ao prefeito o aval para agir juridicamente contra a paralisação.
Eis que, apesar do que muitas vezes pensamos, Getúlio Vargas fez e faz um grande mal ao Brasil.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O Paraíso Terrestre: Os Shoppings

O crescimento de shoppings é fundamental para uma cidade como Maringá, não podemos criar falsos discursos de igualdade onde o interesse pela segurança e o bem estar está na capacidade de consumo e não na cidadania. O crescimento de um comércio varejista que procura segregar o próprio consumidor ou adaptar as áreas de consumo ao perfil social do cliente. A cidadania é cada vez mais garantida pela privatização, onde se exige segurança e estética, a sensação magnífica do paraíso terrestre, local onde podemos consumir e nos sentir sintonizados com o ambiente que supera a desigualdade social e econômica, exalta a cultura e a necessidade de estar sintonizado com uma diversidade mundial. Contudo, sem sair do lugar. Os ambientes de consumo são democráticos, mas os consumidores não. Nas ilhas chamadas shoppings, o que nos deixa satisfeito é o respeito a carteira de identidade, chamada de “cartão de crédito”. A norma ou profecia a ser lembrada na era do consumo é: “cada macaco no seu galho”, ou melhor, “cada consumidor em seu lugar e quem não pode consumir em lugar nenhum”.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Conselheiros Tutelares

Divulgada a lista dos Conselheiros Tutelares. Hélio Ghizoni foi o mais eleito, 632 votos foram obtidos por ele. É preciso entender que o Conselho Tutelar tem como função a vigilância sobre a condição da criança e adolescente. Buscar aplicar a lei sem transformá-la em um instrumento de permissividade do abuso de crianças, principalmente dos adolescentes é fundamental para o exercício da função de Conselheiro Tutelar.
Contudo, na violência da relação entre pais e filhos, onde há falta de autoridade dos pais, nós temos que considerar que não há dimensão do que é ter filhos. Compomos famílias sem princípios e organização, sem sentido de futuro e do porque estamos reunidos em uma mesma instituição que, ilusoriamente, chamamos de emocional.
Não estamos preparados para conviver com “os outros”. Outros, na condição de filhos, amigos, vizinhos, enfim, qualquer ser humano que se identifique além de nós mesmos e que necessite considerar que o mundo não é uma condição exclusivamente nossa, causa aflição e repulsa. A liberdade excessiva dos filhos denuncia a limitação de compreendermos a função que devemos desenvolver como pais. Queremos os prazeres da existência, mas não queremos o fardo das consequências. E nas relações familiares isto fica cada vez mais evidente.
Por isso a escolha de um Conselheiro tutelar é de suma importância. Conhecer a forma como compreende as relações sociais, como considera os conflitos contemporâneos e principalmente a violência doméstica, é pré-requisito importante para um bom Conselheiro. Pena que tivemos pouco tempo para uma boa campanha de conscientização da importância de uma eleição para o Conselho Tutelar. E infelizmente, uma grande parte da sociedade está afastada desta questão. Participamos de eleições para a escolha de governantes e consideremos um peso o exercício da cidadania, mas considere que a votação para um Conselheiro Tutelar está mais próxima que os decretos governamentais, têm reflexos e intervenções em nossa vida doméstica.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Nem tudo é como se quer

Temos que encarar a realidade como quem encara a si mesmo. Considero, inclusive, que encarar o segundo (a si mesmo) é mais difícil que a realidade. Talvez a fraqueza de nossa conduta tem um significado imenso nesta condição. A realidade, por mais difícil que pareça é uma eterna aula de vida, mas se não temos a capacidade de entende-la quem terá por nós? Eu vejo cotidianamente os jovens jogarem a liberdade conquistada por seus pais e pelos que os antecederam no "lixo" e não levarem a diante a responsabilidade sobre a liberdade, tanto individual como coletiva. Uma conquista árdua, de todos nós. E que muitas vezes não se mantém ou se realiza pela simples condição de não existir um sentido, em grande parte dos jovens de hoje, do porque ser livre e o que fazer com esta liberdade. Um porque simples e claro, porque ser livre é fundamental para construir diariamente algo melhor do que o que nos antecedeu, o importante direito a escolha e de crescer com ela, pena que isto não pese a muitos.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Dívida Eterna

Esta semana, almocei com um dos meus melhores amigos, Marçal Siqueira. Minha relação com Marçal tem um tempero de casualidade e empatia. Siqueira conquistou em mim a admiração de um brilhante jornalista e um homem que supera constantemente os seus limites. Aprendo com ele coisas da alma e da razão, além da admiração pela carreira profissional que ele está construindo. Mas, se tem algo que marcará profundamente a imagem de Marçal Siqueira em minha vida é o convite para ser comentarista da Rádio CBN, a quem devo o ponto de partida e o aprendizado dos primeiros tempos no rádio. Junto com Marçal, o trabalho na CBN também tem a marca de Elci Nakamura, a qual considero a jornalista mais ética desta cidade. Tenho o orgulho da amizade e de trabalhar com estes profissionais. Se tenho caminhado na comunicação e se tenho construído uma carreira no rádio, ela tem Padrinho (Marçal) e Madrinha (Elci Nakamura).
Por isso torno público o meu MUITO OBRIGADO!

O perigo vem de dentro

Construímos costumeiramente uma idéia de que a violência propagada no dia-a-dia virá dos elementos externos a nossa relação. Ficamos esperando que pela invasão de nossa casa, impondo uma arma e exigindo o que é nosso de direito, o bandido e mal feitor irá promover uma violência sem limites e colocar nossa vida em risco. Mas, por ironia de nossos falsos sonhos, o inimigo mora no mesmo teto e vive ao nosso lado. Os que mais promovem a destruição de nossa vida são os componentes de nossas relações pessoais, fazendo parte de nosso dia-a-dia como um “igual”. Os crimes hediondos, praticados por jovens ou adolescentes, com raras exceções, são em ambientes domésticos e contra os componentes da própria família. Não adianta ficarmos buscando explicações na mente criminosa que um jovem possa ter, os assassinos familiares são sujeitos normais e estão propagados. Literalmente temos um “inimigo íntimo”.