Sou maringaense de nascimento e vivi toda a minha vida residindo aqui, em Maringá. Gosto desta cidade por diversos fatores, um dos principais é que aqui realizo minha vida profissional e construo uma identidade de cidadão. Tendo na medida do possível atuar constantemente na vida pública, sem ser político, por mais que tenha minhas simpatias e decepções com a política. Mas, Maringá me preocupa. Nada me dá medo como o futuro que estamos construindo para nossa cidade. Quando Silvio Barros II assumiu, fiquei, de certa forma, empolgado com a perspectiva de se construir uma cidade que desse um paço a frente e muda-se. Não só na estrutura física, mas em sua mentalidade.
Hoje, ainda temo a mente provinciana, o excesso de religiosidade e falta de conceitos mais sólidos e racionais sobre o tráfico de drogas e a violência urbana. Temo a desigualdade que estamos criando a nossa volta, os municípios que fazem parte da região metropolitana de Maringá apresentam sintomas alarmantes de desigualdade.
Mas, temos que continuar alertando e demonstrando os números de uma desigualdade que não é só de nossa região, se prolifera no mundo, principalmente nos países do Terceiro Mundo.
sábado, 12 de maio de 2007
Tarso na Araucária
A liderança na pesquisa acadêmica se forma ao longo do tempo e da maturidade que a militância gera é sempre confirmada a máxima de que somos o que construímos e não o que desejamos. Tarso é um militante e atuante com competência e com compromisso com sua classe de atuação. Ele vem ao longo do tempo lutando pela qualidade do ensino e da pesquisa e tem uma visão lúcida sobre o papel que a ciência exerce na vida humana. Em sua posse a frente da Fundação Araucária destacou a importância da ciência na busca de soluções concretas para a vida humana. A ciência é nossa grande arma contra o que ameaça a existência do próprio homem. Tarso ressaltou que as pesquisas têm que se comprometer com resultados e não permanecer na gaveta das instituições de ensino superior. Esta deve ser a diferença que as instituições de ensino superior devem fazer produzir um conhecimento que gere mudanças na vida humana, independente da área de conhecimento. O ser humano é único, suas necessidades são muitas e a ciência não tem fronteiras nem limites, a ciência é nossa maior capacidade de criação e transformação. Parabéns Tarso!
Filas nos Bancos
Quando falamos do porque os Bancos tem filas o motivo está em quem é cliente e quem não é. O inferno decretado ao não cliente é uma forma de impor o desejado “cliente preferencial”. A angústia das filas faz parte de uma guerra psicológica e discriminação na imposição de uma abertura de conta como única condição de viver nas relações econômicas que o capital impõe. Quando analisarmos as filas dos Bancos é sempre bom lembrar que as instituições financeiras estão entre as que mais lucraram nos últimos anos. Toda a vida parece estar predestinada a passar por uma instituição financeira. Desta forma, os que não pertencem à clientela sofrerão as filas para pagar suas contas, mas receberá em casa, por telefone ou correio, o convite sedutor a ingressar na casta dos favorecidos. Na hora de fazer o gasto e dar lucros abusivos o convite é personalizado, o gerente é seu amigo. Na hora de uma dificuldade extrema e da necessidade do uso racional sem compromisso com a instituição financeira, você se torna apenas o CPF.
A Fachada Caiu
Uma marquise caiu no centro da cidade nesta segunda-feira. Um sinal, para quem tem bom senso, importante. É preciso encarar o tempo de existência das edificações no centro da cidade, assim como em boa parte da área central de Maringá. O desabamento desta segunda-feira pode ocorrer novamente em outros prédios. Estamos comemorando os 60 anos de Maringá, alguns dos prédios da área central já tem meio século de existência sem grandes alterações estruturais. O que temos de mudança é apenas a fachada para atender as necessidades da economia local e dar uma revitalização aparente ao que continua velho. Às vezes, expressamos nas reformas das fachadas, com as antigas estruturas, o que vem sendo a prática administrativa da economia local. O medo de uma mudança profunda faz manter a prática varejista sem gerar novas possibilidades de negócios no antigo centro do comércio.
Aplicando a mesma lição da Antiga Rodoviária, os estabelecimentos do centro da cidade podem estar com sua data de validade vencida. A revitalização da Avenida Brasil é um bom começo para mudar definitivamente o que as fachadas escondem de velho no antigo centro do comércio local.
Aplicando a mesma lição da Antiga Rodoviária, os estabelecimentos do centro da cidade podem estar com sua data de validade vencida. A revitalização da Avenida Brasil é um bom começo para mudar definitivamente o que as fachadas escondem de velho no antigo centro do comércio local.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Como as malas
O presidente da Câmara de Vereadores de Mandaguari, Romoaldo Pereira Velasco foi seqüestrado e assaltado. Os assaltantes o renderam e o colocaram no porta-malas do seu carro, que foi abandonado em seguida em um canavial. A rentabilidade do crime está em pouco mais de dois mil reais. O que colher da experiência de Romoaldo? A primeira lição é que o porta-malas também deve ser visto como um local para passageiros. Temos que pensar na condição em que as malas vivem. Malas são jogadas no compartimento de trás sem a menor consideração, algumas delas sem alça, outras com um peso insuportável. Mas, independente do tamanho ou forma, somos cada vez mais tratados como malas. Estamos seqüestrados em nossos próprios carros, casas, trabalho, escola e em todos os lugares em que deveríamos ser o elemento principal, o cidadão, o personagem determinante e o centro das atenções. Contudo, somos a mala, o peso, o que, infelizmente, é jogado no compartimento de cargas, o peso morto. Diante disto, muitos começam a pensar em decorar porta-malas de seus carros, pelos menos seqüestrado você pode se sentir gente, mesmo sendo mala.
O Estado da filantropia
Você já pensou se a moda pega? A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Maringá vai disponibilizar advogados criminalistas para atender presos em flagrante ou que estejam com sentença decretada, função que deveria ser do Estado. A intenção é nobre, mas a prática vicia e encobre a incompetência do Estado. Estamos diante do doente que precisa de tratamento de choque e temos consciência da gravidade. Contudo amenizamos a dor em prol da falta de remédio eficaz. Seria como financiar a cocaína para não ver a violência do viciado. E não pense que o dependente do vício é o preso, mas o Estado.
As eternas “vítimas”
Assim vejo o homem contemporâneo e os fatos que comprovam que estamos em uma geração de seres humanos que não respondem mais pelos seus próprios atos. Mesmo pegos em flagrante são inocentes. No percurso entre Maringá e Paranavaí caminhoneiro com excesso de carga não aceita ser punido. Para piorar colegas aliam-se a ele e transformam o erro a contravenção em uma luta pelos direitos de “todos”. Eu me pergunto, que direitos e que todos? Talvez o direito a impunidade para “todos” poderem fazer o que quiserem. Chegamos a questionar a regra por ter o delito um grande número de adeptos. Poderemos assistir em breve a passeata dos assaltantes e dos políticos corruptos em prol de legalizar suas práticas como um legítimo direito. É a defesa da anarquia generalizada, onde protestar pelos direitos legais é menos importante do que o descumprimento da regra, quando interessa. Outra questão que me deixa perplexo no protesto de caminhoneiros quanto ao excesso de carga, é que as empresas muitas vezes pressionam para que seus funcionários, os caminhoneiros, descumpram a lei. Elas, as empresas, nunca são citadas.
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